Um estudo recente da Anfavea aponta para potenciais consequências significativas da adoção generalizada de modelos de montagem de kits importados no Brasil. A pesquisa indica que essa prática poderia resultar na perda de 69 mil empregos diretos e afetar 227 mil postos de trabalho indiretos em toda a cadeia produtiva.
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O estudo também destaca os impactos para fabricantes de autopeças e para as exportações do setor automotivo nacional.
Regimes CKD e SKD
Os regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) envolvem a importação de veículos desmontados ou quase completos, que então são montados no Brasil. No modelo CKD, o veículo é importado em partes e passa por processos como soldagem, pintura e integração de componentes.
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Já no modelo SKD, o veículo é importado em grandes conjuntos, com uma montagem local mais simples.
BYD e a Montagem SKD
A montadora chinesa BYD opera no Brasil, principalmente utilizando o modelo SKD em sua fábrica de Camaçari (Bahia). Essa estratégia de montagem simplificada é um dos fatores que impulsionam a discussão sobre os impactos da importação de kits.
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Pressão para Manter a Isenção de Impostos
Em meados do ano passado, o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões, com isenção de Imposto de Importação, para veículos elétricos e híbridos desmontados. Essa medida beneficiou a BYD e outras montadoras representadas pela Anfavea.
Diante do prazo de validade da cota, a Anfavea tem pressionado o governo para que não seja renovada a isenção de impostos sobre a importação de kits.
Argumentos da Anfavea
A Anfavea argumenta que os regimes CKD e SKD não são inerentemente prejudiciais, mas o problema reside na manutenção de incentivos para a montagem em alto volume sem investimento em valorização nacional. Isso ameaça a indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados.
A associação defende um ambiente competitivo justo, com regras iguais para todos os participantes do mercado.
Posição do Governo
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o sistema de cotas para importações de CKD e SKD termina em janeiro e que não há, até o momento, pedidos para renovação da medida.
