ANDP, Senacom e MPF alertam plataforma X sobre uso indevido de IA Grok. Recomendações incluem remoção de conteúdos sexualizados e suspensão de contas.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANDP), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom) e o Ministério Público Federal (MPF) emitiram recomendações à empresa controladora da plataforma digital X. O foco é a ferramenta de inteligência artificial, Grok, e o uso indevido para gerar conteúdos sexualizados.
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As instituições solicitam a criação de procedimentos técnicos e operacionais em até 30 dias. O objetivo é identificar, revisar e remover conteúdos sexualizados gerados pelo Grok por usuários.
Também pedem a suspensão imediata de contas que produzam imagens ou vídeos de crianças, adolescentes ou adultos sem autorização, especialmente aqueles com conotação sexualizada ou erotizada.
É recomendada a implementação de um mecanismo transparente e acessível para que os titulares de dados possam exercer seus direitos, incluindo o envio de denúncias sobre o uso irregular de dados pessoais, em casos de criação de conteúdos sintéticos sexualizados sem consentimento.
As recomendações foram elaboradas com base em denúncias de usuários, reportagens da imprensa e testes que apontam o uso ilegal do Grok para a produção de deepfakes – imagens falsas criadas a partir de pessoas reais.
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Esses conteúdos são sexualizados, eróticos e pornográficos, envolvendo mulheres, crianças e adolescentes. As instituições alertam para o impacto nesses direitos difusos, coletivos e individuais, especialmente de mulheres e crianças.
O documento destaca que, apesar do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o provedor da plataforma não é totalmente isento de responsabilidade. A retirada de conteúdos deve ser executada, pois o Grok facilita a produção desses deepfakes.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já declarou a parcial inconstitucionalidade do artigo 19, entendendo que o provedor tem um dever de cuidado para evitar a circulação de crimes contra mulheres.
A plataforma X também veda a produção, manipulação e disseminação de imagens de terceiros com conteúdo sexual ou erotizado, o que torna “insustentável” a disponibilização de uma ferramenta de inteligência artificial sem filtros rigorosos.
Caso as recomendações não sejam acatadas ou implementadas de forma insuficiente, outras medidas poderão ser consideradas e adotadas pelas instituições, em sede administrativa e judicial, para garantir a proteção dos cidadãos.
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