Conflitos internos, Produto Interno Bruto parado, confiança reduzida e ênfase no externo contribuem para o fracasso.
Após seus primeiros cem dias no governo, o chanceler alemão, o conservador Friedrich Merz, registra forte impopularidade, com apenas 29% dos alemães satisfeitos com seu desempenho. O número é o pior desde que assumiu o cargo, apesar de ter adotado pautas da extrema direita visando aumentar sua popularidade.
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Mersheimer endureceu ainda mais a política migratória, afastando-se da linha de acolhimento generosa impulsionada pela chanceler Angela Merkel em 2015. Além de intensificar a deportação de estrangeiros, entre eles 81 criminosos para o Afeganistão, o governo decidiu manter nos limites os requerentes de asilo e modificou a legislação para restringir o reagrupamento familiar de estrangeiros e aumentar os prazos para obtenção da nacionalidade.
Uma pesquisa publicada no jornal Bild am Sonntag no último fim de semana revelou que os índices de aprovação de Merz e seu governo são ainda mais baixos do que os de Olaf Scholz, seu antecessor no Partido Social-Democrata (SPD), na mesma fase, três anos e meio atrás. Menos de 30% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com o trabalho de Merz, em comparação com 43% que disseram o mesmo sobre Scholz após seus primeiros cem dias. Um total de 68% disseram que o atual líder não era melhor do que Scholz como chanceler, enquanto 26% o consideraram uma melhoria.
Especialistas apontam que a razão mais evidente para o descontentamento reside nas disputas internas na coalizão de Merz envolvendo o CDU, SPD e CSU. A primeira se concentrou em uma diminuição do custo da energia para cidadãos. Outra, mais significativa, ocorreu durante a designação de três juízes para o Tribunal Constitucional de Karlsruhe.
Diversos deputados conservadores também rejeitaram uma candidata, que contava com o apoio dos social-democratas, devido à sua posição considerada excessivamente liberal em relação ao aborto. Esse revés, somado ao resultado negativo no primeiro turno das eleições, em maio, evidenciou a delicada situação em que Merz se encontra. Com apenas doze assentos a mais do que o necessário no Bundestag, a Câmara dos Deputados possui uma margem de manobra limitada, o que antecipa novos desentendimentos em torno do orçamento de 2026.
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Ademais, um Produto Interno Bruto parado, baixa confiança pública e acusações de que ele é um “chefe de relações exteriores” contribuem para a percepção negativa.
Após dois anos de recessão, associados principalmente à invasão da Ucrânia pela Rússia e ao consequente aumento dos preços da energia, a maior economia europeia esperava-se recuperar este ano. Antes de assumir o cargo, Merz obteve um fundo de 500 bilhões de euros (cerca de R$ 3,14 trilhões) para modernizar as infraestruturas durante doze anos, bem como a flexibilização das rigorosas regras sobre a dívida para financiar os esforços de defesa.
A Alemanha busca reativar o crescimento de maneira sustentável, incentivando investimentos estratégicos. Contudo, no segundo trimestre, o Produto Interno Bruto da Alemanha caiu 0,1%, após um avanço de 0,3% no primeiro. Para o ano de 2025, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma quase estagnação (+0,1%).
Ademais, as tarifas de 15% aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos europeus, a partir da última quinta-feira (7), provocarão “prejuízos significativos” à economia alemã, dependente de suas exportações, afirmou Merz.
Críticos de Merz o classificam como um “chanceler de relações exteriores”, tão preocupado com o cenário mundial que delegou a administração do país a auxiliares como Thorsten Frei, seu chefe de chancaria, e Katherina Reiche, a ministra de energia e assuntos econômicos. Como prometido durante a campanha eleitoral, Merz está mais envolvido do que seu antecessor, Olaf Scholz, nas relações exteriores.
Além de consolidar os vínculos com a França, Reino Unido e Polônia, Merz busca preservar relações aceitáveis, pelo menos funcionais, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem visitou em junho, afirma Uwe Jun, da Universität Trier. Merz também almeja que a Alemanha possua as “Forças Armadas convencionais mais poderosas da Europa”, uma alteração em um país profundamente pacifista desde os horrores do nazismo.
O governo Merz também implementou uma alteração em relação a Israel, anunciando a interrupção das exportações de armamentos que poderiam ser empregados na Faixa de Gaza. Em relação à Ucrânia, Merz mantêm a posição de seu antecessor e se opõem a fornecer a Kiev mísseis de cruzeiro Taurus, com um alcance de 500 km.
Com a Agência France-Presse e The Sunday Times
Fonte por: Brasil de Fato
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