Agentes federais buscam residência de Hannah Natanson, da Washington Post, em Virgínia, durante investigação de compartilhamento de dados confidenciais
Agentes federais realizaram uma operação de busca na residência da repórter Hannah Natanson, do jornal Washington Post, localizada na Virgínia. A ação ocorreu como parte de uma investigação que apura o possível compartilhamento de informações confidenciais do governo americano.
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Durante a operação, foram apreendidos um telefone celular, notebooks e um relógio, conforme relatos da própria repórter e do jornal.
A repórter Natanson cobre a atuação da Casa Branca e acompanha a reestruturação administrativa promovida pelo governo, com foco em demissões de servidores, mudanças no corpo diplomático e o redirecionamento da máquina pública. Investigadores informaram à jornalista que ela não é o alvo principal da apuração.
O foco da investigação se concentra em Aurelio Perez-Lugones, um funcionário terceirizado do Pentágono, que está preso e é acusado de ter acesso e levado documentos classificados para sua residência, além de supostamente compartilhá-los com a imprensa.
As autoridades afirmam ter encontrado material relacionado à defesa nacional na residência e no veículo de Perez-Lugones.
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A procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, confirmou a operação em rede social, acusando jornalistas de obter e divulgar informações sigilosas de forma ilegal, sem apresentar provas concretas.
Especialistas e veículos de imprensa americanos destacaram que buscas em residências de jornalistas são consideradas “extremamente raras” mesmo em investigações envolvendo segredos de Estado. Normalmente, medidas desse tipo se limitam ao acesso a registros telefônicos e de emails.
Para o Washington Post, a operação foi “extremamente incomum e agressiva”.
Jameel Jaffer, diretor do Knight First Amendment Institute, da Universidade Columbia, classificou o episódio como preocupante e alertou para um possível efeito intimidatório sobre repórteres e fontes.
A ação na casa da repórter do Washington Post ocorre em meio à deterioração da relação entre o governo Donald Trump e a imprensa. O Departamento de Justiça reverteu, no ano passado, uma política adotada na gestão que restringia o rastreamento de dados de jornalistas em apurações sobre vazamentos.
No fim de seu primeiro governo, Trump já havia solicitado registros de repórteres do Washington Post, New York Times e CNN, mas não havia precedentes de buscas domiciliares ou apreensão direta de dispositivos.
Até esta quarta-feira, não havia confirmação oficial de qualquer vínculo direto entre Natanson e Perez-Lugones além do fato de os documentos sob investigação terem sido publicados pela imprensa.
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