Advocacia Geral Apaga Orientações Sobre Descontos em Aposentadorias Após Operação Sem Desconto
Advocacia Geral apaga orientações sobre descontos em aposentadorias! Operação Sem Desconto expõe esquema na AGU. Saiba mais.
Advocacia Geral Apaga Orientações Sobre Descontos em Aposentadorias
Em um movimento que gerou questionamentos, a Advocacia Geral da União (AGU) removeu do seu sistema interno, chamado Sapiens, as orientações, teses e modelos de manifestação utilizados desde o início do atual governo em processos sobre descontos associativos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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A decisão ocorreu após a operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025.
Contexto da Operação Sem Desconto
A operação, que expôs um esquema de desvio de aposentadorias por meio de descontos associativos ilegais, foi conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU) em 23 de abril de 2025. A ação policial revelou um esquema de grandes proporções.
Orientações Internas e a Estratégia da AGU
As diretrizes que haviam sido adotadas em 2023 pelo ministro da AGU, Jorge Messias, orientavam advogados públicos a buscar a suspensão de ações judiciais sobre descontos indevidos e a afastar a responsabilidade da autarquia previdenciária pelos prejuízos aos beneficiários.
As determinações constavam de ao menos dois documentos: a Orientação Interna nº 6/2023, publicada no Sapiens, e um que reforçava as mesmas diretrizes estratégicas. Ambos estabeleciam que, diante de ações sobre descontos associativos fraudulentos, os procuradores federais deveriam pedir o afastamento da responsabilidade do INSS e solicitar a suspensão dos processos até decisão da Turma Nacional de Uniformização (TNU).
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Mudanças Após a Operação Sem Desconto
Após a operação, Messias determinou mudanças nas estratégias. A suspensão de processos deixou de ser por prazo indeterminado e passou a ter um limite máximo de 120 dias. A AGU também retirou do Sapiens todas as orientações anteriores, incluindo teses e modelos que vigoraram desde o início do governo até a deflagração da ação policial.
A AGU justificou a exclusão, afirmando que documentos são substituídos quando há evolução do contexto fático ou jurídico e que orientações superadas são desabilitadas para evitar o uso de conteúdos desatualizados. “Esses documentos passam por atualizações sucessivas, sendo substituídos por versões mais recentes sempre que há evolução do contexto fático ou jurídico relacionado à matéria tratada, de modo a assegurar que a atuação judicial esteja alinhada às circunstâncias concretas e ao entendimento jurisprudencial vigente.
As orientações superadas são desabilitadas do sistema, para que os procuradores não utilizem orientações desatualizadas”, disse a AGU.
Pedido de Informações no Congresso
A retirada dos documentos coincidiu com um pedido de informações feito pela deputada (Novo-SP), integrante da CPMI do INSS. O pedido solicitava cópia de todas as orientações técnicas ou normativas da AGU sobre litígios envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
A AGU respondeu ao requerimento em julho de 2025, mas não anexou a íntegra das orientações internas nem das teses – documentos que posteriormente foram apagados do sistema. A deputada e o primeiro-secretário da Câmara, (PT-PE), responsável pelo recebimento formal das respostas ao Congresso, contestaram a versão da AGU, afirmando que o único material enviado foi um PDF de 11 páginas que cita as teses e as orientações pelo nome, mas não inclui nenhuma íntegra.
Dúvidas e Questionamentos
A situação levanta dúvidas sobre se a AGU está defendendo a sociedade e o patrimônio público ou tentando blindar o governo. A falta de transparência sobre os critérios adotados na atuação judicial gerou questionamentos e intensificou a pressão por explicações.
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