Desafios da Acidificação Oceânica e Estratégias de Intervenção
O refluxo gástrico, um problema comum em humanos, pode ser comparado à acidificação dos oceanos. Assim como o excesso de acidez estomacal causa desconforto, o aumento da concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera está prejudicando os ecossistemas marinhos.
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Estudos, como o realizado pelo Laboratório Marinho de Plymouth em 2025, revelaram que o pH médio da superfície oceânica diminuiu de 8,2 para 8,04, um aumento de aproximadamente 40% na acidez desde a Revolução Industrial.
Essa acidificação representa um desafio global, impulsionada pelo aumento das emissões de CO2. A consequência é a diminuição da capacidade dos organismos marinhos, como corais, moluscos e crustáceos, de formar suas estruturas calcárias, como conchas e esqueletos.
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Pesquisadores estão explorando estratégias para mitigar esse problema.
Intervenção com Soda Cáustica: Um Experimento em Andamento
Uma proposta controversa envolve a liberação controlada de soda cáustica (NaOH) diretamente no mar, visando neutralizar a acidez da água e aumentar sua capacidade de absorver CO2. Um experimento liderado por Adam Subhas, do Woods Hole Oceanographic Institution, em agosto de 2025, bombeou cerca de 61,3 mil litros de uma solução tingida de vermelho no Golfo do Maine.
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A mancha gerou preocupação, mas a equipe, liderada por Subhas, afirmou que a intervenção criou as condições ideais para que o oceano absorvesse o dióxido de carbono.
Impactos e Considerações
O experimento, embora tenha causado a morte de nove peixes (considerado um impacto insignificante), demonstra a viabilidade de intervenções. Pesquisadores como David Ho, da Universidade do Havaí, defendem investimentos governamentais em larga escala, comparando a necessidade com o Projeto Manhattan.
A pesquisa continua, com foco na quantificação do fluxo e na identificação de áreas vulneráveis para proteção.
A Urgência da Sustentabilidade Oceânica
A acidificação dos mares é um processo silencioso, mas extremamente perigoso para os ecossistemas marinhos. A diminuição do pH afeta a fisiologia, o crescimento e a reprodução das espécies, com impactos diretos sobre a biodiversidade. Pesquisadores como Alexander Turra, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, enfatizam a necessidade de ações urgentes para proteger os recifes de coral e outras estruturas calcárias.
