Acadêmicos de Niterói chocam com desfile e presença de chefes de Estado! Debate acirrado sobre política e Carnaval. Homenagens a Lula e Bolsonaro geram polêmica
O Carnaval de 2026, com o desfile da Acadêmicos de Niterói, reacendeu um debate antigo e delicado no cenário político brasileiro: a relação entre chefes de Estado e a maior festa popular do país. A agremiação carioca, em seu enredo, optou por homenagens ao PT e ao ex-presidente Lula, ao mesmo tempo em que representou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de forma bastante explícita, gerando controvérsia e atraindo a atenção da mídia.
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A representação do líder da oposição como um palhaço, aliada a outras homenagens, reacendeu o debate sobre o papel da política em eventos culturais e a possibilidade de utilização do Carnaval como um espaço para manifestações partidárias.
A Acadêmicos de Niterói não foi a primeira agremiação a envolver chefes de Estado em seus desfiles. Em 1994, o então presidente Itamar Franco foi fotografado em um camarote do Sambódromo do Rio ao lado da modelo Lilian Ramos, que apareceu sem roupa íntima aparente.
A imagem, que entrou para a história política como o episódio mais conhecido envolvendo um chefe de Estado brasileiro no ambiente formal dos desfiles de Carnaval, gerou constrangimento institucional e reacendeu o debate sobre os limites da liberdade individual e a responsabilidade dos líderes em eventos públicos.
A reação defensiva de Itamar, minimizando o episódio e alegando que se tratava de um momento de lazer, apenas intensificou a repercussão do caso, que chegou a gerar discussões sobre a possibilidade de um processo de impeachment.
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No desfile de 2026, a Acadêmicos de Niterói optou por uma representação bastante direta de Jair Bolsonaro, utilizando um boneco caracterizado como “Bozo” (forma pela qual o ex-presidente era eventualmente chamado por críticos) e, em outro carro alegórico, um palhaço com uniforme de presidiário e uma tornozeleira danificada, em referência à sua prisão.
A escola também apresentou uma ala que representava a “família tradicional” dentro de uma lata de conserva, como uma crítica aos “neoconservadores”. A representação do ex-presidente como palhaço gerou críticas e questionamentos sobre a intenção da agremiação e sobre os limites da liberdade de expressão em eventos públicos.
A escola, por sua vez, defendeu a liberdade de enredo e a intenção de provocar reflexões sobre a sociedade brasileira.
Além das representações polêmicas, o desfile da Acadêmicos de Niterói também foi marcado por diversas controvérsias e ações judiciais. O partido Novo entrou com uma representação no TCU (Tribunal de Contas da União) para pedir que a agremiação não recebesse o repasse de R$ 1 milhão da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo.
A Corte de Contas, por unanimidade, negou o pedido. Além disso, a senadora (Republicanos-DF) apresentou uma representação contra a escola por considerar que a representação do grupo religioso era “ridicularizar” o grupo religioso. A Justiça Federal também foi acionada por partidos de oposição a Lula, que moveram ações contra o presidente por causa do enredo da agremiação.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também analisou o caso, acompanhando o voto da relatora, Estela Aranha.
O desfile da Acadêmicos de Niterói em 2026, com suas representações polêmicas e controvérsias, demonstra a importância do Carnaval como um espelho da sociedade brasileira. O enredo da agremiação, que homenageou o PT e o ex-presidente Lula, ao mesmo tempo em que representou o ex-presidente Jair Bolsonaro, reacendeu um debate antigo e delicado no cenário político brasileiro.
O Carnaval, como a maior festa popular do país, continua a ser um espaço de manifestações políticas e culturais, refletindo as tensões e os conflitos da sociedade brasileira.
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