A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma das manifestações mais evidentes da luta por justiça social no Brasil. Sua existência demonstra a longa trajetória de um país que, desde o período colonial, organizou a escola como um privilégio das elites, excluindo as classes populares, a população negra, indígena e trabalhadora do direito à escolarização. Nesse contexto, a EJA não é apenas uma forma de ensino: é uma política de reparação, elaborada para combater desigualdades profundas que persistem em nossa sociedade.
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Reconhecida pela Constituição de 1988 como direito de todos e dever do Estado e consolidada na Lei de Diretrizes e Bases de 1996, a EJA tem, em oito de setembro, uma data para se reafirmar como instrumento fundamental de democratização da educação. É uma estratégia de combate à exclusão social e de afirmação da cidadania, que garante a milhares de jovens, adultos e idosos o acesso a um direito historicamente negado.
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A EJA representa também um desafio pedagógico. Exige metodologias próprias, aptas a respeitar e valorizar a trajetória dos trabalhadores que conciliam estudos com longas jornadas de trabalho, responsabilidades familiares e a pressão da sobrevivência diária. Inspirada na pedagogia de Paulo Freire, a EJA deve ser um espaço de diálogo, consciência crítica e emancipação. A alfabetização, nesse contexto, não é apenas a decodificação das letras, mas a possibilidade de “ler o mundo” e transformá-lo.
A EJA é, sobretudo, uma política de inclusão. Significa possibilitar o acesso de grupos historicamente marginalizados a novos direitos, promover a autonomia e a participação plena na vida social e política.
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Fortalecer a EJA significa combater a falta de permanência, a descontinuidade de políticas públicas e a desvalorização social. É declarar que não há democracia genuína sem assegurar a cada cidadão o direito de aprender, em qualquer fase da vida. A EJA é, portanto, uma política pública estratégica: articula dimensões políticas e pedagógicas, enfrenta barreiras estruturais e aponta para um horizonte de inclusão, igualdade e emancipação social.
Dani Balbi é professora, escritora e deputada estadual pelo PCdoB/RJ.
Este é um artigo de opinião e não reflete necessariamente a linha editorial do Brasil do Fato.
Fonte por: Brasil de Fato
