432 Park Avenue: Crise em Edifício de Nova York! Estrutura em risco com rachaduras e problemas graves. Moradores enfrentam dificuldades e reparos podem custar US$ 160 milhões
O 432 Park Avenue, um dos edifícios mais altos de Nova York, localizado na prestigiosa Billionaires’ Row, está enfrentando uma crise estrutural que ameaça sua habitabilidade e segurança. Construído em dezembro de 2015 com um design minimalista em concreto branco, o edifício, que ostenta unidades vendidas por mais de US$ 80 milhões e contou com moradores famosos como Jennifer Lopez e Alex Rodriguez, agora se tornou um exemplo dos riscos associados à engenharia de supertalls.
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A situação é tão preocupante que, segundo especialistas, o prédio pode se tornar inabitável e apresentar riscos para pedestres.
As falhas estruturais começaram a se manifestar pouco tempo após a inauguração. Moradores relataram estalos nas paredes, sensação de balanço com o vento e vazamentos de água que causaram prejuízos milionários. A fachada do edifício apresentava rachaduras visíveis, que se multiplicavam mesmo após tentativas de reparo.
Engenheiros alertam que os danos podem ser agravados com o tempo, especialmente com o aumento de infiltrações, o que compromete o aço da estrutura e gera ainda mais rachaduras. “Pedaços de concreto vão se soltar, janelas começarão a afrouxar e os sistemas mecânulos falharão”, alertou Steve Bongiorno, engenheiro estrutural entrevistado pelo New York Times.
A origem de muitos desses problemas estaria na própria estética escolhida para o edifício. O concreto branco, desejado pelos desenvolvedores Harry Macklowe e o arquiteto uruguaio Rafael Viñoly, foi considerado frágil por engenheiros ainda durante a fase de testes em 2012. “Eles tinham duas opções: ‘cor ou rachaduras’”, escreveu na época Silvian Marcus, engenheiro da empresa WSP, em e-mail interno citado pelo NYT.
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A opção foi pela cor. A escolha por um concreto branco e “esteticamente puro” — que não admitia a adição de substâncias como fly ash (pó fino de sílica, alumina e ferro), que poderiam reforçar a estrutura — teria contribuído para fissuras precoces na fachada do prédio.
Moradores como Ching Wong, que pagou US$ 15 milhões por um apartamento com vista para o Central Park, estão frustrados com a compra que fizeram. “O banheiro está com a porta torta, o ar-condicionado não funciona e meus custos de condomínio triplicaram”, disse ao NYT.
Além das dificuldades cotidianas, como elevadores que travam e oscilações causadas pelo vento, alguns moradores tiveram que contratar engenheiros para estabilizar suas unidades, tamanha a sensação de instabilidade. Um dos casos mais graves foi o de um elevador vazio que despencou 40 andares até o subsolo.
A estimativa para um reparo completo ultrapassa os US$ 160 milhões, segundo o NYT. O valor cobre apenas os custos relacionados à fachada: outros problemas estruturais, mecânicos e hidráulicos exigiriam investimentos adicionais. A CIM Group nega que o prédio esteja comprometido e atribui as denúncias a disputas internas.
Em nota ao jornal americano, a CIM Group classificou as alegações como “infundadas, difamatórias e mais um erro do condomínio que só vai derrubar ainda mais o valor das unidades”.
O professor Anthony Ingraffea, especialista em fraturas de concreto da Universidade Cornell, revisou fotos dos danos e afirmou que “o prédio não durará para sempre”. “Eu não assinaria um documento dizendo que este prédio durará. O Empire State Building, sim.
Este, eu duvido”, disse.
O caso do 432 Park Avenue já é um exemplo emblemático dos riscos que cercam a nova geração de supertalls. Com proporções extremas e estruturas esguias, esses edifícios impõem desafios inéditos à engenharia civil moderna — e, segundo os engenheiros, o prédio em Manhattan já ultrapassou os seus próprios limites. “Um edifício com apenas 10 anos não deveria apresentar esse grau de deterioração”, afirmou José Torero, professor de engenharia da University College London. “Ninguém pode argumentar que isso não é uma falha.”
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